quinta-feira, 14 de janeiro de 2010


"era aquilo. Sempre uma ida as coisas e sua sequente despedida. Na mesma hora que ganhava a vivência, nele ela se perdia. Sorte que vinha a outra, que vinha cicatrizar a alegria ou a abrir nova ferida, também logo substituida. E as pessoas nesse renovar-se envelhecendo. As pessoas n meio, com suas raízes sujas de terra, cavoucando seus mistérios, bem querendo-se, e juntas, acima das malqueridas ausências"

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

veja bem meu bem

Veja bem, meu bem
Sinto lhe informar
que arranjei alguem
pra me confortar.

Esse alguém está
quando vc sai.
E eu só posso crer, pois sem ter vc
nesses braços tais.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009


Amaram o amor urgente
As bocas salgadas pela maresia
As costas lanhadas pela tempestade
Naquela cidade
Distante do mar
Amaram o amor serenado
Das noturnas praias
Levantavam as saias
E se enluaravam de felicidade
Naquela cidade
Que não tem luar
Amavam o amor proibido
Pois hoje é sabido
Todo mundo conta
Que uma andava tonta
Grávida de lua
E outra andava nua
Ávida de mar

E foram ficando marcadas
Ouvindo risadas, sentindo arrepio
Olhando pro rio tão cheio de lua
E que continua
Correndo pro mar
E foram correnteza abaixo
Rolando no leito
Engolindo água
Rolando com as algas
Arrastando folhas
Carregando flores
E a se desmanchar
E foram virando peixes
Virando conchas
Virando seixos
Virando areia
Prateada areia
Com lua cheia
E à beira-mar


Lua, lua, lua, lua
Por um momento
Meu canto contigo compactua
E mesmo o vento canta-se
Compacto no tempo
Estanca
Branca, branca, branca, branca
A minha, nossa voz a tua sendo silêncio
Meu canto não tem nada a ver com a lua
Lua, lua, lua, lua

sábado, 31 de outubro de 2009

....


tem horas que a intimidade é a única coisa real no mundo.
devo dizer que em todas as horas...
é por causa dela que não me perco de mim....

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

o anticristo

Hoje fui ver o fime de lars von trier, o anticristo. Um fim de tarde chuvoso e caotico em sp, fui em boa companhia ao cinema. Saí passada e atormentada.Na lista de filmes de Von Trier "Dogville", "Dançando no escuro" e o radical "Os idiotas" - com o qual o dinamarquês ajudou a lançar o manifesto de cinema que ficou conhecido como Dogma 95.
O prólogo: cena de sexo explícito rodada em preto e branco ao som de uma ária de Händel. A cena é maravilhosa e transita entre a beleza, o erotismo e a tragédia. Nessa hora já pensei: Lars desgraçado! Que cena é essa??? Maravilhosa!!! Como pode??? Depois de meia hora, vc fica se perguntando, quem será o anticristo....me envolvi na tentativa psicoanalitica do protagonista ajudar sua mulher enfrentar uma grande perda na segunda parte "Grief". O filme passa por um momento monocórdio e vc como espectador jura que o filme vai seguir essa linha até o fim "Pain"...... Mas lars surpreende com a frase "o caos reina" vindo da boca de um bicho. Aí fui arrebatada pelas mais diversas angustias e desconfortos...A Natureza é uma força devastadora, assim como uma mãe que sofre com a morte de seu filho. Como diz o trecho da ópera Rigoleto, de Handel, na abertura e encerramento do filme, a personagem feminina pede "deixe-me chorar pelo meu destino cruel (...), que a dor possa romper os laços da minha angústia".
Logo que o filme terminou, não sabia dizer se tinha gostado ou não. Durante o filme, passei por diversas sensações. E vi no cinema as mais diversas reações: gente indignada, gente emocionada...
Mas o que realmente me deixou passada, foi como essas sensações ainda me povoam, me perturbam. E eu sempre vou acreditar no provocar. Provocar!!

domingo, 18 de outubro de 2009

chagal

és só, e somente aquilo que sentes
como água, fogo, e cores
como almas sinto doce de quê?
de flores!


és só e somente aquilo que sentes

terça-feira, 6 de outubro de 2009

velho amigo!


Voltei a cantar
porque senti saudade
do tempo em que eu andava pela cidade
Com sustenidos e bemóis
Desenhados na minha voz
E a saudade rola, rola
Como um disco de vitrola
Começo a recordar
Cantando em tom maior
E acabo no tom menor

Voltei a cantar
porque senti saudade
do tempo em que eu andava na cidade
Com sustenidos e bemois
Desenhados na minha voz
Ó meu samba, velho amigo
Novamente estou contigo
Uma vida me transtorna
Como um filho à casa torna
De ti nunca me esqueci