sexta-feira, 13 de novembro de 2009


Amaram o amor urgente
As bocas salgadas pela maresia
As costas lanhadas pela tempestade
Naquela cidade
Distante do mar
Amaram o amor serenado
Das noturnas praias
Levantavam as saias
E se enluaravam de felicidade
Naquela cidade
Que não tem luar
Amavam o amor proibido
Pois hoje é sabido
Todo mundo conta
Que uma andava tonta
Grávida de lua
E outra andava nua
Ávida de mar

E foram ficando marcadas
Ouvindo risadas, sentindo arrepio
Olhando pro rio tão cheio de lua
E que continua
Correndo pro mar
E foram correnteza abaixo
Rolando no leito
Engolindo água
Rolando com as algas
Arrastando folhas
Carregando flores
E a se desmanchar
E foram virando peixes
Virando conchas
Virando seixos
Virando areia
Prateada areia
Com lua cheia
E à beira-mar


Lua, lua, lua, lua
Por um momento
Meu canto contigo compactua
E mesmo o vento canta-se
Compacto no tempo
Estanca
Branca, branca, branca, branca
A minha, nossa voz a tua sendo silêncio
Meu canto não tem nada a ver com a lua
Lua, lua, lua, lua

sábado, 31 de outubro de 2009

....


tem horas que a intimidade é a única coisa real no mundo.
devo dizer que em todas as horas...
é por causa dela que não me perco de mim....

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

o anticristo

Hoje fui ver o fime de lars von trier, o anticristo. Um fim de tarde chuvoso e caotico em sp, fui em boa companhia ao cinema. Saí passada e atormentada.Na lista de filmes de Von Trier "Dogville", "Dançando no escuro" e o radical "Os idiotas" - com o qual o dinamarquês ajudou a lançar o manifesto de cinema que ficou conhecido como Dogma 95.
O prólogo: cena de sexo explícito rodada em preto e branco ao som de uma ária de Händel. A cena é maravilhosa e transita entre a beleza, o erotismo e a tragédia. Nessa hora já pensei: Lars desgraçado! Que cena é essa??? Maravilhosa!!! Como pode??? Depois de meia hora, vc fica se perguntando, quem será o anticristo....me envolvi na tentativa psicoanalitica do protagonista ajudar sua mulher enfrentar uma grande perda na segunda parte "Grief". O filme passa por um momento monocórdio e vc como espectador jura que o filme vai seguir essa linha até o fim "Pain"...... Mas lars surpreende com a frase "o caos reina" vindo da boca de um bicho. Aí fui arrebatada pelas mais diversas angustias e desconfortos...A Natureza é uma força devastadora, assim como uma mãe que sofre com a morte de seu filho. Como diz o trecho da ópera Rigoleto, de Handel, na abertura e encerramento do filme, a personagem feminina pede "deixe-me chorar pelo meu destino cruel (...), que a dor possa romper os laços da minha angústia".
Logo que o filme terminou, não sabia dizer se tinha gostado ou não. Durante o filme, passei por diversas sensações. E vi no cinema as mais diversas reações: gente indignada, gente emocionada...
Mas o que realmente me deixou passada, foi como essas sensações ainda me povoam, me perturbam. E eu sempre vou acreditar no provocar. Provocar!!

domingo, 18 de outubro de 2009

chagal

és só, e somente aquilo que sentes
como água, fogo, e cores
como almas sinto doce de quê?
de flores!


és só e somente aquilo que sentes

terça-feira, 6 de outubro de 2009

velho amigo!


Voltei a cantar
porque senti saudade
do tempo em que eu andava pela cidade
Com sustenidos e bemóis
Desenhados na minha voz
E a saudade rola, rola
Como um disco de vitrola
Começo a recordar
Cantando em tom maior
E acabo no tom menor

Voltei a cantar
porque senti saudade
do tempo em que eu andava na cidade
Com sustenidos e bemois
Desenhados na minha voz
Ó meu samba, velho amigo
Novamente estou contigo
Uma vida me transtorna
Como um filho à casa torna
De ti nunca me esqueci

domingo, 20 de setembro de 2009

pé no chão e fé na estrada

vamos repetir homenageando a pina baush que verei amanhã e o brecht. A repetição quem sabe me trará novo entendimento da vida. PÉ NO CHÃO E FÉ NA ESTRADA!!!!!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

de quartas...


Tá cansada, senta
Se acredita, tenta
Se tá frio, esquenta
Se tá fora, entra
Se pediu, agüenta
Se pediu, agüenta...

Se sujou, cai fora
Se dá pé, namora
Tá doendo, chora
Tá caindo, escora
Não tá bom, melhora
Não tá bom, melhora...

Se aperta, grite
Se tá chato, agite
Se não tem, credite
Se foi falta, apite
Se não é, imite...

Se é do mato, amanse
Trabalhou, descanse
Se tem festa, dance
Se tá longe, alcance
Use sua chance
Use sua chance...

Se tá puto, quebre
Ta feliz, requebre
Se venceu, celebre
Se tá velho, alquebre
Corra atrás da lebre
Corra atrás da lebre...

Se perdeu, procure
Se é seu, segure
Se tá mal, se cure
Se é verdade, jure
Quer saber, apure
Quer saber, apure...

Se sobrou, congele
Se não vai, cancele
Se é inocente, apele
Escravo, se rebele
Nunca se atropele...

Se escreveu, remeta
Engrossou, se meta
E quer dever, prometa
Prá moldar, derreta
Não se submeta
Não se submeta...